domingo, 11 de maio de 2014

DEONOMO - "SINAIS - MFDC REV 13"

Marco Braga
"MFPC 86 RECFL12 (CÉLULA MATER No. 01)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
36 x 48 cm - Lápis artístico, tinta acrílica e tinta metálica sobre papel

SINAIS

Lanço agora as peças do quebra cabeças
Confundindo jogos, propondo brincadeiras
Lanço-as como quem lança papéis pelas janelas
nas comemorações de final de ano.
Saia atrás delas e monte a história
a minha
a sua
São sinais
Memórias
Invenções e evidências
Ocultamento e revelações
Chaves, cadeados
Portas e janelas entreabertas
Verdades e mentiras
Crenças e blefes
Lanço agora as pedras
Como cartas de baralho
E desafio ao montar castelos
Todos serão possíveis
Porém todos serão frágeis
E fortes...

"SINAIS - MFDC REC13", Argo Sence

sábado, 10 de maio de 2014

PROJETO DEONOMO - Introdução (06) - Seja bem vindo a DEONOMO





Marco Braga
"MFPC 69 RECFL11 (Um Olhar)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
110 x 38 cm - Lápis artístico e tinta metálica sobre papel

Cada Manifestação Fragmental carrega em si sua inteireza gerada de uma possível estruturação/equalização composta por oposições, revelando/registrando momento de equilíbrio não neutro ou simétrico (onde tais forças se anulariam), mas equilíbrio frágil, talvez mais um momento de 'estabilidade instável' e, com isso, revelando seu dinamismo, sua vida. Porém, fruto de um momento, de uma 'estação', a obra indica não ser única, mas, sim, participante pulsante de algo maior. Assumidas em sua característica fragmental - fragmentos de um todo - as Manifestações Fragmentais aproximadas, combinadas ou até (re)construídas, geram novas partes, novas obras, novos fragmentos, e nisto consiste outra das bases para o Projeto Deonomo -  também ele uma grande Manifestação Fragmental, uma das tantas que compõem, podem compor ou ao menos sugerir uma indicação da possível (mas não decisiva) inteireza de Deonomo, o Fluente Mundi, um mundo derivado de vivência, investigação, descoberta, construção e adequação, um mundo cuja inteireza, tenho consciência, não será conhecida, pois resulta e continuará resultando de processo contínuo - processo que, disso também estou certo, ficará inacabado.

E são estas indicações da possível inteireza de Deonomo que compartilho, esperando que, ao fazê-lo, esteja contribuindo de alguma forma e que possam passar a fazer parte da construção de (seus) outros mundos.


Sou Marco Braga, nascido em São Paulo. Brasil, na madrugada do dia 21 de agosto de 1963. Artista plástico, professor, metido a poeta e escritor, um apaixonado pela arte que sempre este em meu histórico, seja fazendo, seja fruindo, seja pesquisando sobre ela. E Deonomo é fruto dessa paixão.


Seja bem vindo a Deonomo, o Fluente Mundi.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

PROJETO DEONOMO - Introdução (05)

Marco Braga
"MFPC 40 REVFP11 (Desnudamento No. 05)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
50 x 40 cm - Lápis artístico sobre papel

De forma construtiva (e tentando ser positivista), o indivíduo, a busca e a defesa de sua identidade, assim como as formas de relação dessa identidade com a sociedade e o mundo estão entre os temas do 'Projeto Deonomo, questionando características vivenciadas no mundo contemporâneo: o consumo imediatista, sofrego e superficial; a descartabilidade, a desconfiança, a insegurança, a solidão; a aparente urgência no afã de viver um hoje e um agora de forma efêmera e descompromissada, como se esse hoje não fosse resultante e dependente de um ontem e elemento estruturador de um amanhã. Tomando o indivíduo como interesse central, são colocadas também questões relacionadas à comunicação e às formas de interação, na defesa de um viver liberto, consciente e ideológico - e não um viver meramente libertário e inconsequente, parecendo resultar de modas assimiladas numa aceitação passiva de comportamentos tomados de modo pseudo-dogmáticos. Qual o futuro para as relações humanas? Qual a posição do indivíduo na sociedade contemporânea nessa era de tantos avatares duvidosos? Qual a consciência que temos de nós mesmos?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

PROJETO DEONOMO

"Há uma corrente de ideólogos, mais do que de filósofos propriamente ditos, que postula simplesmente a morte do sujeito e, com ela, a do autor. Com a morte do sujeito, por algum tempo anunciado pelo mais desfibrado coletivismo - corolário talvez inconsciente da morte de Deus - , não se pode exigir a menor responsabilidade ética e estética e, muito menos, o menor tipo de discernimento face ao objeto. Qualquer coisa, portanto, passa a ter a mesma consistência ou, seguindo essa lógica invertida, a mesma vacuidade. Com a morte do autor desaparece, por sua vez, o principal fundamento que liga a mimésis à poiesis: a individualidade criadora que, uma vez descartada, implicará necessariamente a impossibilidade da própria existência de valores artísticos. E a negação de valores é a glória máxima dos profetas do desconstrucionismo. Pois desconstruir é o único ânimo que lhes resta depois do esquecimento das próprias almas e da perda total de contato com a realidade."
(Ângelo Monteiro, "Arte ou Desastre")

Marco Braga
"MPFC 110 DEFDEO13 (CASCA No. 02)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
32 X 24 cm - Lápis artístico sobre papel

quarta-feira, 7 de maio de 2014

PROJETO DEONOMO - Introdução (04)

Marco Braga
"MFPC 77 RECFL12 (Por Vezes Apenas a Lua Uiva)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
50 x 40 cm - Lápis artístico e tinta metálica sobre papel

Derivada de um processo, a obra em si é portadora e testemunho de vida (vivência) e propõe um convite ao diálogo, à comunicação, gerando assim uma espécie de elo entre autor e receptor, onde, nesse momento, tais papéis se mesclam e confundem - pois, na visão dos receptores, a leitura das obras passa a receber interpretações pessoais, gerando significações muito diversas daquela que poderia ter sido a vontade ou necessidade originadora da obra. A própria recepção se torna, assim, um ato criativo.

terça-feira, 6 de maio de 2014

PROJETO DEONOMO

"Haverá, algum dia, filosofia, música e arte de importância que tenham sido inspiradas pelo ateísmo?"
(George Steiner)

Marco Braga
"MFPC 66 RECFL11 (Nossa Senhora do Caos, Dama da Consciência)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
40 x 50 cm - Lápis artístico e tinta metálica sobre papel

sexta-feira, 2 de maio de 2014

PROJETO DEONOMO - Introdução (03)

Marco Braga
"MFPC 48 REVFH11 (Horas No. 05)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
40 x 50 cm - Lápis artístico e tinta metálica sobre papel

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Vertentes psicológicas indicariam o nascedouro da obra de arte provindo do íntimo do artista, de seu universo particular e subjetivo. Não seria então esse nascedouro resultante da personalidade do artista respondendo à sua exposição aos eventos do mundo ao redor? Explicar a(s) obra(s) por esse viés seria aceitável, porém narcísico (do ponto de vista do autor) e talvez desinteressante (do ponto de vista do receptor), e, além do mais, só quem teria as verdadeiras chaves de interpretação das obras por esse viés - se é que teria consciência disso - seria o próprio artista.

Vertentes sociais, por sua vez, indicariam o nascedouro da obra de arte como resposta ou reação ao meio. Certamente o meio influencia na criação artística, pois esta não é, e nem deve ser, algo alheio ao mundo. A não ser que o artista, seguindo por esse caminho, opte deliberadamente por uma 'anulação' de sua própria personalidade no fazer artístico - e, ao tomar tal posicionamento, não estaria ele, na realidade, chamando atenção sobre a própria personalidade? - essa leitura da obra, portanto, também remete às características da personalidade do artista.

Ambas as vertentes enveredam a um denominador comum: ao autor da obra ou, ao menos, à (suposta) intenção criativa por trás de sua geração. Porém estar diante da obra é estar diante do autor? Não. Estar diante de uma obra de arte é estar diante de algo que, ao ser concebido, adquiriu vida própria, passando a ganhar independência de seu autor - apesar de sempre manter com ele, que nesse momento torna-se também um receptor, uma relação um pouco mais íntima que aquela dos demais receptores possíveis.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

PROJETO DEONOMO - Introdução (02)

Marco Braga
"MFPC 91 DEFDEO12 (Um Sonho Construtivo)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
50 x 36 cm - Lápis artístico, tinta metálica, tinta acrílica e textura sobre papel
(Coleção particular)

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Descubro-me espécie de 'arqueólogo de mim mesmo', ao mesmo tempo tomo a consciência de ser um 'construtor de mundo' - não havendo nisso qualquer sinal de pretensão pois, creio, todos somos construtores de mundos - mundos criados por (e resultantes de) buscas e tomadas de decisões; por identificações e vivências, encontros e desencontros, erros e acertos, vitórias, derrotas... A esse (meu) mundo denominei 'Deonomo, o Fluente Mundi'.

Dentre as tantas manifestações que compõem Deonomo, consideradas fragmentos de caráter construtivo, estão aquelas artísticas - as de caráter visual, denominadas 'Manifestações Fragmentais Plásticas' (MFP) e as escritas, 'Manifestações Fragmentais Documentais' (MFD).

quarta-feira, 30 de abril de 2014

PROJETO DEONOMO - Introdução (01)

INTRODUÇÃO

Marco Braga
"MPFC 099 DEFDEO13 (LUZ SOBRE DEONOMO)"
© Todos os direitos reservados / All rights reserved
40 x 30 cm - Lápis artístico, acrílico e tinta metálica sobre papel
(Medalha de Ouro na "II Mostra Brasileira ANAP ao Louvre", - integrando o "XII Salon Internacional Art Shopping Paris", Musée do Louvre, Salle Le Nôtre, Paris, França - 2013)

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'DEONOMO, o Fluente Mundi - A Concepção de um Mundo com Fragmentos' carrega, entre outras, a característica investigativa da relação ESPAÇO/TEMPO: tratado como 'mundo', Deonomo significa ESPAÇO, porém espaço composto por 'manifestações fragmentais' (ideias, projetos, registros, gestos, reações, emoções, pensamentos, trabalhos, opiniões, sonhos...) que indicam/resultam do constante processo de vivência, ação e reação, caracterizando e denotando a vida desse mundo, sua fluência, ou seja, evidenciando o passar/fluir do TEMPO. Dessa maneira a concepção de Deonomo acaba por apresentar características semelhantes às de um projeto paisagístico na composição de um jardim.
Uma única visita a um jardim apresenta um aspecto resultante daquele momento específico englobando fatores como: os cuidados recebidos em sua manutenção até então, sendo uma resposta àquela determinada estação do ano, e, também, às peculiaridades daquela hora do dia, das condições climáticas e luminosas daquele preciso instante...
Creio que uma única visita a um jardim é como entrar em contato com uma única obra de um artista - e essa 'visita' pode ou não significar alguma coisa para o visitante.
Quando temos a oportunidade de visitar esse jardim mais vezes admiramos o quanto ele mostra de dinamismo e mutabilidade, sua aparência revelará transformações por vezes sutis, por vezes marcadas e marcantes, porém sua estrutura é e continuará sendo a mesma.

PROJETO 'DEONOMO, o Fluente Mundi' (01)

DEONOMO, o Fluente Mundi
A CONCEPÇÃO DE UM MUNDO COM FRAGMENTOS


"Meu caro amigo, estou lhe enviando um pequeno trabalho do qual não se poderia dizer sem injustiça que não tem rabo nem cabeça, já que, pelo contrário, tudo nele é ao mesmo tempo cabeça e rabo, alternados e reciprocamente. Considere, eu lhe peço, leve em consideração as admiráveis facilidades que esta combinação oferece a todos nós, a você, a mim e ao leitor. Podemos interromper onde quisermos - eu meus devaneios, você o manuscrito, o leitor sua leitura: pois não mantenho a recalcitrante conta de deste último suspensa ao fio interminável de uma intriga supérflua. Retire uma vértebra, e os dois pedaços dessa tortuosa fantasia irão se juntar sem dificuldade. Lacere-a em diversos fragmentos e verão que cada um deles pode existir à parte. Na esperança de que algumas destas postas tenham vida suficiente para agradá-lo e diverti-lo, ouso dedicar-lhe a serpente inteira."
(Charles Baudelaire)